quarta-feira, 7 de abril de 2010

É isso aí


Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre

É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade

É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos
A escolher seus amores

Eu não sei parar de te olhar
Não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar
De olhar

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terça-feira, 6 de abril de 2010

A praia

Sentada no muro que divide a praia do passadiço; o sol bate-me no rosto e aquece-me o corpo; ouço como som de fundo, as ondas a bater nos rochedos, ainda que existam mais barulhos ao meu redor, como cães a ladra, pessoas a conversarem, as gargalhadas de algumas crianças, aquele que distingo é o mar; de vez em quando uma leve brisa traz, até ao meu rosto, cutículas de água salgada.

Pouso o livro sobre as minhas pernas, porque uma vez mais, como desde há muito acontece, aquando das nossas longas conversas telefónicas, os meus pensamentos são absorvidos por ti, nem o romance que leio e que me cativa “Ninguém como tu”, me consegue afastar de ti.

Durante a manhã e parte da tarde, fomos partilhando algumas mensagens, tão curtas mas com palavras tão directas, foram essas mensagens que me fizeram estar onde estou, o meu mundo, a praia; o mundo que me tranquiliza; o mundo que me faz pensar em tudo, mas esse tudo apenas engloba tu e eu; o meu mundo que me faz sorrir e rir; o mundo que me deixa feliz…

Olho o horizonte, os raios solares a serem reflectidos naquele mar, o brilho que quase me cega, um brilho quase tão intenso como aquele que vejo quando olho-te nos olhos, e ao pensar nisso recordo-me de uma mensagem que me enviaste há dias e que a guardei, “Não tires nunca os teus olhos dos meus!!” voltei a lê-la e a sorrir. Tu não imaginas mas as tuas mensagens me fazem sorrir, pois todas elas quando são abertas são quase como batidas no meu coração.

Pego no telemóvel e escrevo-te uma mensagem “com saudades”, envio-a, lanço novamente o meu olhar para aquele mar e não resisto, escrevo outra mensagem a dizer que estou no meu mundo, ao lado do meu tranquilizador.

Sorrio uma vez mais e volto a pegar no livro para ler mais umas linhas.

Sei que passam alguns minutos e ainda estou na mesma página que quando recomecei a ler, é que eu leio uma frase e os meus pensamentos não me deixam prosseguir a leitura, porque novamente me invades.

Fico furiosa, porque estás a exercer um forte poder em mim, não consigo nem sequer estar atenta ao que leio, estás a ser mais forte do que eu, entraste na minha vida com uma enorme intensidade e agora és pior do que um furacão… Um turbilhão de pensamentos e sentimentos andando de um lado para o outro, sinto-me confusa mas ao mesmo tempo tão certa. Sinto um ligeiro arrepio, coloco o marcador no livro e pouso-o, pego no meu casaco visto-o e quando coloco novamente a mão no livro para continuar com a minha leitura, uma mão pousa sobre a minha, dou um pulo de susto e rapidamente olho para cima para ver quem se atrevia a tocar-me.

Engulo em seco, um calor começa a subir pelo meu corpo, meu coração acelera e meu olhar brilha. Os meus lábios recebem um leve beijo, uma mão agarra-me os cabelos, lentamente abro a minha boca para receber a tua língua, trocamos um longo e intenso beijo.

Quando abro os olhos e te afastas de mim, vejo-te a sorrir, um sorriso malandro, como só tu o tens.

- Olá linda.

- Como é que sabias que estava aqui, meu príncipe?

- Fácil. Enviaste-me uma mensagem a dizer que estavas ao lado do teu tranquilizador. Quando me disseste isso pela primeira vez perguntei-te quem era e tu disseste-me que era o mar, lembraste?

- Sim lembro-me perfeitamente. – Levanto-me para ficar a teu lado e te poder abraçar.

Passas-me a mão pelo rosto e afasta-me umas madeixas de cabelo que tapam os meus olhos.

- Por isso sabia que estavas aqui e como podia vim ter contigo. Não gostaste?

- Claro que gostei tontinho. – Abraço-me a ti e beijo-te.

Agarras-me a mão e fazes-me sinal para pegar no meu livro, abaixo-me, agarro-o e deixo-me levar por ti. Aprendi que posso confiar em ti e que só me poderás fazer feliz, por isso vou contigo para o nosso mundo.

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