terça-feira, 6 de abril de 2010

A praia

Sentada no muro que divide a praia do passadiço; o sol bate-me no rosto e aquece-me o corpo; ouço como som de fundo, as ondas a bater nos rochedos, ainda que existam mais barulhos ao meu redor, como cães a ladra, pessoas a conversarem, as gargalhadas de algumas crianças, aquele que distingo é o mar; de vez em quando uma leve brisa traz, até ao meu rosto, cutículas de água salgada.

Pouso o livro sobre as minhas pernas, porque uma vez mais, como desde há muito acontece, aquando das nossas longas conversas telefónicas, os meus pensamentos são absorvidos por ti, nem o romance que leio e que me cativa “Ninguém como tu”, me consegue afastar de ti.

Durante a manhã e parte da tarde, fomos partilhando algumas mensagens, tão curtas mas com palavras tão directas, foram essas mensagens que me fizeram estar onde estou, o meu mundo, a praia; o mundo que me tranquiliza; o mundo que me faz pensar em tudo, mas esse tudo apenas engloba tu e eu; o meu mundo que me faz sorrir e rir; o mundo que me deixa feliz…

Olho o horizonte, os raios solares a serem reflectidos naquele mar, o brilho que quase me cega, um brilho quase tão intenso como aquele que vejo quando olho-te nos olhos, e ao pensar nisso recordo-me de uma mensagem que me enviaste há dias e que a guardei, “Não tires nunca os teus olhos dos meus!!” voltei a lê-la e a sorrir. Tu não imaginas mas as tuas mensagens me fazem sorrir, pois todas elas quando são abertas são quase como batidas no meu coração.

Pego no telemóvel e escrevo-te uma mensagem “com saudades”, envio-a, lanço novamente o meu olhar para aquele mar e não resisto, escrevo outra mensagem a dizer que estou no meu mundo, ao lado do meu tranquilizador.

Sorrio uma vez mais e volto a pegar no livro para ler mais umas linhas.

Sei que passam alguns minutos e ainda estou na mesma página que quando recomecei a ler, é que eu leio uma frase e os meus pensamentos não me deixam prosseguir a leitura, porque novamente me invades.

Fico furiosa, porque estás a exercer um forte poder em mim, não consigo nem sequer estar atenta ao que leio, estás a ser mais forte do que eu, entraste na minha vida com uma enorme intensidade e agora és pior do que um furacão… Um turbilhão de pensamentos e sentimentos andando de um lado para o outro, sinto-me confusa mas ao mesmo tempo tão certa. Sinto um ligeiro arrepio, coloco o marcador no livro e pouso-o, pego no meu casaco visto-o e quando coloco novamente a mão no livro para continuar com a minha leitura, uma mão pousa sobre a minha, dou um pulo de susto e rapidamente olho para cima para ver quem se atrevia a tocar-me.

Engulo em seco, um calor começa a subir pelo meu corpo, meu coração acelera e meu olhar brilha. Os meus lábios recebem um leve beijo, uma mão agarra-me os cabelos, lentamente abro a minha boca para receber a tua língua, trocamos um longo e intenso beijo.

Quando abro os olhos e te afastas de mim, vejo-te a sorrir, um sorriso malandro, como só tu o tens.

- Olá linda.

- Como é que sabias que estava aqui, meu príncipe?

- Fácil. Enviaste-me uma mensagem a dizer que estavas ao lado do teu tranquilizador. Quando me disseste isso pela primeira vez perguntei-te quem era e tu disseste-me que era o mar, lembraste?

- Sim lembro-me perfeitamente. – Levanto-me para ficar a teu lado e te poder abraçar.

Passas-me a mão pelo rosto e afasta-me umas madeixas de cabelo que tapam os meus olhos.

- Por isso sabia que estavas aqui e como podia vim ter contigo. Não gostaste?

- Claro que gostei tontinho. – Abraço-me a ti e beijo-te.

Agarras-me a mão e fazes-me sinal para pegar no meu livro, abaixo-me, agarro-o e deixo-me levar por ti. Aprendi que posso confiar em ti e que só me poderás fazer feliz, por isso vou contigo para o nosso mundo.

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