terça-feira, 21 de setembro de 2010

15.09.2010

Há cerca de dois anos, sensivelmente, aprendi que a paixão pode ter tudo de bom e muito de mau. Sofri e muitas lágrimas foram derramadas. Tomar consciência que momentos partilhados e palavras ditas, no silêncio das mesmas, afinal, tinham sido falsos, entendi que realmente eu não sei ler olhares, aprendi que no mundo das paixões e do amor eu sou uma aluna do nível básico, e para quem se considerava uma quase licenciada isso é uma desilusão, é o assassinato de uma ilusão. A consciencialização dessa realidade assustou-me e quase me derrubou. Os dias foram passando bem como a dor e desilusão que foram esmorecendo e essa paixão foi esquecida, não apagada, mas esquecida, guardada numa divisão do meu coração em que a porta foi fechada. Disse para mim mesma que isso não mais aconteceria, pois não ia permitir que uma paixão me invadisse de novo.

Pois bem, à uns dias atrás, estive em retiro espiritual, como alguns amigos o sabem, - bons amigos, que marcaram a sua presença de alguma forma, dando-me muita força, através de telefonemas ou mensagens, ainda que sem conhecimento do verdadeiro motivo do retiro ajudaram-me, abriram-me os olhos, se é que se pode aplicar este termo, - foi um retiro porque de um momento para o outro tomei consciência de que esse sentimento, que não mais queria sentir, me tinha invadido o peito, sem que eu percebesse ou aceitasse.

Os primeiros dias foram de negação e de revolta, de muita revolta, comigo mesma. Pensei e pensei e quis retirar este sentimento de dentro de mim, arranca-lo como quem arranca uma pétala a uma rosa, sem dó nem piedade, risca-lo neste capítulo do livro da minha vida, tinha de extermina-lo fosse de que forma fosse, o importante era que o sentimento desaparece, sendo que o melhor seria da mesma forma como tinha aparecido.

Não queria voltar a sofrer, não derramar lágrimas de tristeza. Melhor, eu não quero, nem posso, não tenho forças para voltar a sofrer, de voltar a perceber que vivi momentos de mentira, momentos que só foram bons para mim e que não foram intensos para a outra pessoa como para mim, que no final o resultado foi uma facada no meu coração, que se tornou sensível ao toque e muito mais ao sentimento paixão.

Esta paixão que sinto, ainda que não a quisesse, sinto-a e com muita intensidade.

Fui quase “obrigada” a contar ao meu apaixonado o motivo do meu retiro espiritual, por consequência perguntou-me por quem me tinha apaixonado; apesar de ter fugido a essa pergunta, ele cercou-me e perguntou-me se era por ele; poderia ter-lhe mentido, pois a conversa estava ser telefónica, ele não teria lido o meu olhar, por isso acreditaria nas minhas palavras, mas não consegui e admiti o meu sentimento por ele. Disse-lhe também de que esse sentimento existia mas que o iria fazer desaparecer, por isso ele não necessitava de se preocupar. Pediu-me que não o fizesse pois os momentos vividos a dois são mais intensos quando existe paixão. Hoje penso e percebo as palavras dele.

Estou em retiro espiritual, este melhor do que o anterior, pois estou longe dele, km nos separam e quase não temos comunicado, o que me tem ajudado a reflectir, temos muito em comum, vivemos as coisas com a mesma intensidade, pensamos em algo da mesma forma e agimos igual, isso faz-me sorrir, momentaneamente, quase choro, de alegria.

Quando vejo uma mensagem recebida ou uma chamada não atendida salto de emoção, sinto-me uma adolescente. Nesses momentos percebo que devo dar uma oportunidade a este sentimento, sei que posso vir a sofrer, uma vez mais, mas também pode não acontecer,..

Mas,.. ele não me vai fazer sofrer, porque ele não me está a mentir; ele não me disse que está apaixonado por mim; ele não me pediu para acreditar no seu sentimento; ele não me disse palavras que tocam o coração olhando-me nos olhos; ele apenas me pediu para deixar que este sentimento exista em mim, para viver intensamente todos os momentos partilhados a dois e isso é possível, bem possível, porque ambos desejamos viver mais momentos a dois, eu com mais intensidade porque vivo apaixonada por ele, mas ele também pode vive-los com a intensidade do momento…

Não importa que ele não viva uma paixão por mim, não importa, pois assim eu não sofrerei mais tarde por a paixão dele nunca ter existido porque a realidade é que não existe, nem sofrerei por mentiras, porque ele não precisa de me mentir, pois ele nunca me disse que estava apaixonado por mim.

O importante é ele continuar a ser ele próprio e a viver esta paixão, mas sem esquecer que quero viver momentos sexuais loucos.

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14.09.2010

Passei a barreira do impossível, fechei os olhos e tive-te aqui, ao meu lado.

Olhei-te, bem fundo, na profundidade do teu olhar, e disse-te “Preciso-te”.

Abraçaste-me e beijamo-nos apaixonadamente. Senti-me vibrar nos teus braços. O meu sentimento fez-se sentir.

O beijo já não foi de desejo carnal, sexual, foi um beijo apaixonado, mais intenso do que os anteriores, pois agora existe um sentimento mais poderoso, mais…

Abro os olhos e sorrio.

Quero beijar-te novamente, sentir os teus lábios colados aos meus, quero ser tocada por ti, quero que me observes, quero ser admirada por ti, quero ver-te olhar-me e que sempre possas sorrir…

Não preciso que o teu olhar me penetre; não preciso que o teu sorriso brilhe como meu; não preciso que em ti exista o mesmo sentimento que o meu; não preciso…

Descobri que quero ter-te, por perto, continuando assim a alimentar este sentimento que nutro; vejo-te com olhar de apaixonada mas não podes não o ter.

Quero que continues a ser tu próprio, aquele que quero para mim, que me faz vibrar, sorrir, cantar, desejar…

Não fujas de mim que não quero fazer-te mal, quero ter-te em mim; dentro de mim, no meu sentimento; perto de mim…

Agora, que vejo e tenho a noção deste sentimento que tenho por ti, apenas te peço, “Deixa-me sentir-te por perto”.

Sê tu próprio e continua a fazer-me feliz…

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08.09.2010

"Certo dia, uma gata que desejava ser a sapa para um sapo, aventurou-se...
Saltou do paradão ao mar e começou a nadar, um mar revolto e enfurecido com uma gata que, por sua natureza, não deveria nadar. Nadou e nadou, sempre com a intensão de beijar os lábios do sapo. Olhou em volta e o seu horizonte era apenas oceano, para que lado olhasse... Estava exausta e sem forças, um barco aproximou-se e salvou a gata, que se encontrava desidratada. Foi seca e alimentada, assim que recuperou forças, a gata, teimava em perseguir o seu caminho. Os marinheiros chamaram-na à razão, fazendo-a entender que morreria naquele mar antes de conseguir, sequer, ver o sapo. A gata consciencializou-se e por isso resolveu enviar, vitualmente, um beijo do tamanho do oceano que os separa e com a força desse mar que quase derrubou a gata teimosa e louca. Assim foi um dia da GataAssanhada em que desejava beijar os lábios do sapo; ou um dia da bruxa que percebeu que o seu feitiço se virou contra ela própria; na realidade é o desejo de uma mulher, eu, que se apaixonou por um homem lindo, encantador, louco, envolvente, amigo, sedutor, brincalhão, apaixonante... simplesmente, TU"
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