Há cerca de dois anos, sensivelmente, aprendi que a paixão pode ter tudo de bom e muito de mau. Sofri e muitas lágrimas foram derramadas. Tomar consciência que momentos partilhados e palavras ditas, no silêncio das mesmas, afinal, tinham sido falsos, entendi que realmente eu não sei ler olhares, aprendi que no mundo das paixões e do amor eu sou uma aluna do nível básico, e para quem se considerava uma quase licenciada isso é uma desilusão, é o assassinato de uma ilusão. A consciencialização dessa realidade assustou-me e quase me derrubou. Os dias foram passando bem como a dor e desilusão que foram esmorecendo e essa paixão foi esquecida, não apagada, mas esquecida, guardada numa divisão do meu coração em que a porta foi fechada. Disse para mim mesma que isso não mais aconteceria, pois não ia permitir que uma paixão me invadisse de novo.
Pois bem, à uns dias atrás, estive em retiro espiritual, como alguns amigos o sabem, - bons amigos, que marcaram a sua presença de alguma forma, dando-me muita força, através de telefonemas ou mensagens, ainda que sem conhecimento do verdadeiro motivo do retiro ajudaram-me, abriram-me os olhos, se é que se pode aplicar este termo, - foi um retiro porque de um momento para o outro tomei consciência de que esse sentimento, que não mais queria sentir, me tinha invadido o peito, sem que eu percebesse ou aceitasse.
Os primeiros dias foram de negação e de revolta, de muita revolta, comigo mesma. Pensei e pensei e quis retirar este sentimento de dentro de mim, arranca-lo como quem arranca uma pétala a uma rosa, sem dó nem piedade, risca-lo neste capítulo do livro da minha vida, tinha de extermina-lo fosse de que forma fosse, o importante era que o sentimento desaparece, sendo que o melhor seria da mesma forma como tinha aparecido.
Não queria voltar a sofrer, não derramar lágrimas de tristeza. Melhor, eu não quero, nem posso, não tenho forças para voltar a sofrer, de voltar a perceber que vivi momentos de mentira, momentos que só foram bons para mim e que não foram intensos para a outra pessoa como para mim, que no final o resultado foi uma facada no meu coração, que se tornou sensível ao toque e muito mais ao sentimento paixão.
Esta paixão que sinto, ainda que não a quisesse, sinto-a e com muita intensidade.
Fui quase “obrigada” a contar ao meu apaixonado o motivo do meu retiro espiritual, por consequência perguntou-me por quem me tinha apaixonado; apesar de ter fugido a essa pergunta, ele cercou-me e perguntou-me se era por ele; poderia ter-lhe mentido, pois a conversa estava ser telefónica, ele não teria lido o meu olhar, por isso acreditaria nas minhas palavras, mas não consegui e admiti o meu sentimento por ele. Disse-lhe também de que esse sentimento existia mas que o iria fazer desaparecer, por isso ele não necessitava de se preocupar. Pediu-me que não o fizesse pois os momentos vividos a dois são mais intensos quando existe paixão. Hoje penso e percebo as palavras dele.
Estou em retiro espiritual, este melhor do que o anterior, pois estou longe dele, km nos separam e quase não temos comunicado, o que me tem ajudado a reflectir, temos muito em comum, vivemos as coisas com a mesma intensidade, pensamos em algo da mesma forma e agimos igual, isso faz-me sorrir, momentaneamente, quase choro, de alegria.
Quando vejo uma mensagem recebida ou uma chamada não atendida salto de emoção, sinto-me uma adolescente. Nesses momentos percebo que devo dar uma oportunidade a este sentimento, sei que posso vir a sofrer, uma vez mais, mas também pode não acontecer,..
Mas,.. ele não me vai fazer sofrer, porque ele não me está a mentir; ele não me disse que está apaixonado por mim; ele não me pediu para acreditar no seu sentimento; ele não me disse palavras que tocam o coração olhando-me nos olhos; ele apenas me pediu para deixar que este sentimento exista em mim, para viver intensamente todos os momentos partilhados a dois e isso é possível, bem possível, porque ambos desejamos viver mais momentos a dois, eu com mais intensidade porque vivo apaixonada por ele, mas ele também pode vive-los com a intensidade do momento…
Não importa que ele não viva uma paixão por mim, não importa, pois assim eu não sofrerei mais tarde por a paixão dele nunca ter existido porque a realidade é que não existe, nem sofrerei por mentiras, porque ele não precisa de me mentir, pois ele nunca me disse que estava apaixonado por mim.
O importante é ele continuar a ser ele próprio e a viver esta paixão, mas sem esquecer que quero viver momentos sexuais loucos.
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