sexta-feira, 8 de outubro de 2010

29.09.2010 - I

Estive ausente da minha escrita porque a vida tem destas coisas, falta de tempo e de inspiração. A minha inspiração foi sempre dos sentimentos de loucura, desejo e paixão, neste momento, não é que não existam em mim, mas estão “calmos” derivado à mencionada falta de tempo e por uns acontecimentos ocorridos às uns dias atrás; algo que nunca me havia acontecido.

Num dia normal, como tantos outros, no final da tarde tive um desequilíbrio emocional e sentimental, algo que não esperava que me acontecesse, principalmente por ser a primeira vez. Hoje parece-me que nesse dia sofri da doença bipolar, ou seja, estava a sorrir e de um momento para o outro, só porque não me foi satisfeito um “capricho”, entrei num estado de desequilíbrio que só por ler uma mensagem mergulhei em tristeza e choro; chorei como já não me lembrava fazê-lo, parecia uma criança.

Segurava o telemóvel, incrédula com a mensagem, o cotovelo apoiado no volante e a mão a segurar a cabeça, as lágrimas a encharcarem o rosto. Fechei os olhos e desejei desaparecer, não existir; atirei com o telemóvel para o banco do passageiro; baixei a cabeça, ficando apoiada no volante, chorei durante alguns minutos, soltando alguns gemidos de sofrimento; entre lágrimas e soluços perguntei-me várias vezes “Porquê? Porque tudo tem de ser assim?”, como é evidente não obtive qualquer resposta. Acalmei um pouco e resolvi ir para casa, pois sentia-me mais calma, com os pensamentos pendurados, sendo que esperava que não viesse nenhum vento forte para fazê-los esvoaçar.

Liguei o carro e iniciei a minha viagem, até que sem contar apareceu uma ventania nos pensamentos, ao recepcionar uma mensagem em que me dizia “será isso mimo?”; foi a gota de água para transbordar o copo. Senti uma fúria a invadir-me, a cabeça quase explodia, queria mandar passear todas as pessoas, ou desaparecer… Como estava numa auto-estrada não podia enviar resposta à mensagem recepcionada. Sem me aperceber comecei a acelerar, a conduzir que nem uma louca, furiosa com ele, por me ter enviado aquela mensagem, mas muito mais comigo própria por permitir que me fizessem sentir assim.

Rapidamente cheguei a uma estação de serviço onde parei o carro. Respirei fundo, e enviei uma mensagem à minha amiga, uma forma de pedir auxílio, sem que ela percebesse o real sentido; não obtive resposta rapidamente, como desejava, sabia que não poderia responder-me, mas eu queria receber resposta, precisava de ler algo escrito por ela, enviei mais uma e logo a seguir outra e mais outra… expulsei parte da fúria naquelas mensagens.

Quando me senti mais calma resolvi dar resposta à mensagem que me tinha deixado naquele estado; enquanto a escrevia recebi o telefonema dele, aquele que uns minutos antes tinha dito que eu estava com mimo. Não atendi, não queria atender e ouvir a voz dele, estava com receio daquilo que lhe podia dizer sem pensar nas consequências. O telemóvel continuava a tocar e eu sem conseguir terminar de escrever a mensagem, voltei a respirar fundo, fechei os olhos e atendi… Ao ouvir a sua voz, as lágrimas soltaram-se, rolaram pelo meu rosto e cairam sobre as pernas, humedecendo a saia que vestia; tentei esconder que chorava mas ele percebeu de imediato. Perguntou-me se estava a chorar e eu tive de lhe mentir, disse-lhe que não, que era impressão dele; não me pareceu muito convencido, mas respeitou aquele meu momento, pediu-me para lhe contar o que se passava, disse-lhe para esquecer o assunto e que precisava de uns minutos para falarmos pessoalmente, anuiu, terminamos a conversa nesse momento desejando bom fim de semana. Desliguei o telemóvel e dei alguns murros no volante, sim fui bruta; levei as mãos à cabeça e sentia como se fosse explodir; gritei “Porquê? A mim? Porquê?”; as lágrimas continuavam a soltar-se, não conseguia controlar, não sabia o que fazer, e só desejava desaparecer.

Apesar de já ter falado com ele, acabei de escrever a mensagem “Pode haver mimo pelo meio é verdade, a culpa é minha, eu não deveria ter permitido este sentimento ter entrado em mim e também não deveria ter-te contado a existência do mesmo.”. Ao terminar li-a várias vezes a pensar se deveria ou não enviar, mas após alguns momentos de reflexão, fiz enviar. Avisei a minha amiga de que tinha de desaparecer, por isso que iria desligar o telemóvel assim que recebi uma mensagem dela a aceitar a minha decisão, ainda que preocupada e interessada em saber os verdadeiros motivos, desliguei o telemóvel.

Quando cheguei a casa, tomei um banho, comi algo, não me recordo agora o que foi em concreto e tomei um calmante; assim que me deitei fechei os olhos e adormeci, pelo cansaço, por me arderem os olhos e o calmante também deve ter ajudado, só acordei no dia seguinte. Despertei e fiquei deitada a olhar o infinito, a tentar encontrar-me, pois não conseguia perceber o que tinha acontecido no dia anterior, como não encontrei qualquer resposta às minha dúvidas, levantei-me, preparei-me e fui para o ginásio, de onde só saí quando já não tinha mais forças, aquele desgaste foi uma forma que arranjei para afastar os pensamentos… Sentir a água cair pelo meu corpo para limpar aquele suor, que tinha humedecido as minhas roupas, fez-me sentir mais solta e pensei que era bom sentir-me leve e viva. Ao regressas a casa, liguei o telemóvel e tinha mensagens de preocupação da minha amiga e dele; respondi de imediato às mensagens, inclusive à dele. Para continuar a sentir-me mais solta e leve, fui fazer uma das coisas que mais gosto, fui às compras.

Ainda que tivesse alguma tristeza em mim, estava mais tranquila, leve e solta. O pensamento que mais me invadia é que tinha de aprender com toda a situação e que deveria manter-me no meu canto e esperar, porque também há necessidade de aprender a ser paciente.

Com o decorrer do dia, uma vontade cresceu em mim, uma louca vontade de lhe enviar uma mensagem, não controlei e enviei; mas “pior” depois disso, foi a vontade de ouvir a sua voz, liguei-lhe sem pestanejar e quando ouvi a sua voz percebi que ele é a minha paixão.

Passados alguns dias, hoje, 29 de Setembro, sinto-me nova, com nova atitude para a paixão e para com ele; não quero mais ter o desequilíbrio que tive, por isso quero voltar a sorrir, a desejar que ele me dê prazer; continuará a ser a minha paixão, o templo do meu desejo, a prisão do meu sentimento.

.

Sem comentários:

Enviar um comentário