quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Calor

Ontem, escrevi sobre uma parte do meu domingo, hoje vou escrever sobre este tempo.

Pois bem, gosto do tempo assim, o sol, a temperatura acima dos 20º, uma suave brisa para que não haja demasiado calor, o chilrear dos pássaros, mas… - existe sempre um mas – este tempo deixa-me fora de mim; muito impulsiva em olhares, palavras e por vezes actos. É certo que há situações em que o impulso abona a meu favor, outras em que mais valia nem sair de casa…

Quando saio pela manhã, desço as escadas do prédio e eis que AMulhergataebruxa desperta. No passeio, está um vizinho à espera de boleia para ir trabalhar, vejo o seu olhar seguir, atentamente, cada gesto meu, quando o meu carro está perto dele, ao aproximar-me já o vejo sorrir a preparar-se para me dar os bons dias, retribuo-lhe os bons dias e ainda lhe sorrio, nesse instante agradeço ao sol por existir assim uso os óculos de sol protegendo-me do sol e do olhar do meu vizinho, pois se não os tivesse o meu olhar incriminaria-me, o simples olhar provocador que ele me lança, o sorriso, o timbre da sua voz, a forma como o seu corpo se expressa, acende a chama do desejo em mim.

Entro para o carro e penso, já estás protegida, já não voltas a vê-lo hoje, mas, impulsivamente, quando saio do parque de estacionamento novamente lanço um olhar para ele e sorrio-lhe, como se lhe estivesse a desejar um bom dia de trabalho. Que missinha, não consigo controlar um simples olhar, fazer de conta que não tem qualquer importância a presença dele no preciso momento em que saio de casa para o meu dia profissional?

Só de escrever é como se ele estivesse à minha frente, vejo-o sorrir para mim, vestido todo de azul, botas de biqueira de aço, a barba aparada, um corpo bem feito… ups… é melhor parar, continuando…

Dirijo-me para o meu trabalho e o meu desejo de possuir e ser possuída - sim porque é esse desejo que o meu vizinho acende em mim pela manhã, possui-lo intensamente e permitir que ele também me possua - acalma.

Chego ao trabalho e vou tomar o meu café; acontece o inevitável, cruzo-me com as minhas colegas de trabalho, que neste tempo usam mais vezes saias, vestidos, devotes, transparências, tudo aquilo que faz com que seja uma ligeira brisa para uma chama acesa logo pela manhã e que pode tornar-se numa fogueira. Aprecio-as, converso com elas, mas muitas vezes distraio-me a olhar para as suas pernas e peito, outras para os seus lábios, o seu olhar, tudo isso me deixa excitada…

Só volto a acalmar quando estou no meu gabinete ao começar a trabalhar, mas, repentinamente, a concentração no trabalho foge, é uma mensagem da mulher que me tem tirado fora de mim, que me tem invadido os pensamentos e, confesso, já fiz algo a pensar nela e no seu corpo - até pareço um homem a falar, mas é a verdade – respondo-lhe e com a troca de mensagens vou ficando quente e meus pensamentos começam a ser invadidos por desejos e sonhos. A concentração no trabalho fugiu tenho de me levantar e ir até ao wc molhar a cara para acalmar, quando regresso coloco o telemóvel mais distante para nem ver mensagens a chegar.

Consigo a concentração para retomar o meu trabalho e quando menos espero eis que o telemóvel toca, vejo o contacto que me liga, meu coração dispara, prontamente o atendo e após uns segundos de conversação já meu pensamento está nos loucos momentos que passamos juntos, na forma como somos um com o outro, o calor começa a invadir-me… desligo, sorrio, fico uns instantes a olhar para o telemóvel, mas volto ao trabalho, ainda que agora com um desejo maior do que aquele que a minha amiga me tinha deixado.

Saio para o almoço e “pimba” começo a ver os rabiotes de mulheres a sorrirem para mim - sim eles sorriem para mim, provocam-me - as mamocas que quase rasgam os tecidos que as escodem de mim… uiiii só de imaginar fico louca de desejo.

Eu naquele estado e uma das minhas colegas com quem almoço, resolve sentar-se de frente para mim e com um decote, vocês conseguem imaginar como eu fico, pois, mas pior ainda. Tento arranjar forma de contrariar o meu olhar, pego no telemóvel para enviar mensagens, mas as mensagens ainda me fazem pior, as palavras que leio deixam-me acesa, ao imaginar o remetente fico ainda mais desejosa de ir para uma cama satisfazer este meu quente desejo.

Durante a tarde tudo se acalma um pouco, porque como durante a manhã os desejos foram acordados o trabalho atrasou-se um pouco, por isso volto a entrar no ritmo para que nada seja esquecido e tudo seja resolvido.

Quando coloco tudo em ordem olho para as horas e penso no que vou fazer ao sair do expediente, a primeira coisa que me apetece é sair e ir até à praia apreciar aqueles corpos deitados nas toalhas, muitos deles a chamarem por mim… Não, é melhor não, o melhor é ir para casa, acalmar, tratar das lidas domésticas, sim, isso, acalma-te AMulhergataebruxa, está demasido assanhada, demasiado enfeitiçada pelos teus loucos desejos, o teu ambiente doméstico vão acalmar-te e os teus desejos de pensamentos serão absorvidos pelas lidas domésticas.

Chego a casa e faço tudo o que tinha planeado. Por volta das 22h deito-me na cama, depois de um banho, o corpo começa a relaxar e meus pensamentos começam a vaguear mas, novamente, para onde eu quero tentar acalmar. Visualizo todas as mamocas que passaram diante de mim, aqueles rabinhos empinados para eu os apalpar, aqueles lábios carnudos que mereciam de imediato um longo e intenso beijo, depois os sorrisos que me foram dedicados e logo a seguir vêm os olhares de desejo que alguns homens me lançaram.

Esqueci a televisão que ia ver quando me deitei, levanto-me, aproximo-me do marido beijo-o e entrego-me a ele, ele sacia a minha louca vontade de possuir e ser possuída.

Conversamos um pouco e eu conto-lhe que estou com desejo de estar com uma mulher, planificamos umas saídas à noite para eu satisfazer os meus desejos.

Deito-me de barriga para baixo, abraço a almofada, fecho os olhos e deixo-me adormecer, assim como aos meus quentes desejos.

É assim estes dias quente de Verão, que me deixam ainda mais quente e com desejos ainda mais intensos.

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