terça-feira, 4 de maio de 2010

Alma Gêmea

Este fim-de-semana cheguei ao “limite” e tenho mesmo de escrever algo pois finalmente tomei consciência do que é, finalmente admiti a mim mesma,…

Era jovem, com a vivacidade da idade e a alegria de uma adolescente, ainda que com 21 anos já não devesse ser adolescência e a vida que tinha era já de uma mulher adulta, já tinha casa e as contas mensais, sustentava-me financeiramente, mas ainda brincava aos namorados, não sendo esta a descrição mais correcta, mas era assim que me sentia. Tinha estabilidade familiar, financeira e sentimental.

Neste mundo da virtualidade conheci-te cativaste-me desde o inicio, sei que também te cativei, em todos os aspectos: era divertida; inteligente; fisicamente era um arraso, porque nessa altura tinha um corpinho que fazia muitos homens babarem-se, nunca me considerei bonita por fora, mas por dentro.

Quando nossos olhares se cruzaram senti um arrepio, aquele brilho no olhar que me deteve, o sorriso que me absorveu, a voz que me aquecia o corpo e alma…

Durante dois dias, trataste-me como se eu fosse uma rainha, reformulo a frase, para ser justa e verdadeira, fui e sou tratada como uma rainha.

Mostraste-me a bela cidade onde vivias; amei ver a paisagem à noite; contaste-me histórias de infância, que me fizeram dar umas boas gargalhadas; conheci o teu local de trabalho, umas boas horas foram lá passadas a tentar ver o filme o gladiador, acham que vi alguma coisa?; apresentaste-me ao teu irmão, dá para acreditar? - apresentar-me a alguém da família, os momentos que partilhamos o mesmo espaço que o irmão senti-me observada, cada gesto e palavra utilizada; tivemos um jantar “romântico”, com um bom vinho, pelo menos para mim, João Pires; passeamos pela beira-rio de mãos dadas; escreveste-me uma mensagem no bilhete de comboio, que ainda hoje o guardo;..

Olhaste-me nos olhos, no momento da despedida, um calafrio na barriga, uma lágrima quase a saltar, uma vontade de não mais te largar, mas… era assim, tínhamos de nos separar, kms de distância nos afastava.

Esses dias não mais saíram das nossas memórias, às vezes falamos deles e de certos detalhes que nos fazem sorrir e ao mesmo tempo ter saudades, a verdade é que também me trazem alguma tristeza, por ver como estamos hoje.

A distância sempre nos separou, ainda que houvesse uma altura em que estivemos mais perto, mas nossas vidas tinham tomado outro rumo, cada qual tinha escolhido, se calhar, o caminho que parecia mais prático e correcto.

Houve alturas em que estávamos meses sem ter notícias um do outro, porque havia alguma coisa que impedia que estivéssemos em constante contacto.

As nossas vidas foram evoluindo e cada vez mais distantes um do outro, mas eu sentia que algo nos continuava a unir.

Quando vinhas para mais perto de mim avisavas-me e encontrávamo-nos, ainda que ambos pensássemos “desta vez vamos estar como dois bons amigos” a realidade é que ao nos vermos nossos olhares brilhavam, os sorrisos iluminavam os nossos rostos e, era inevitável, beijávamo-nos… O que se seguia eram horas de uma intensa partilha de afecto, carinho, amizade, respeito, desejo…. As palavras carinhosas que partilhávamos, sorrisos e gargalhadas que nos faziam recordar que era bom estarmos juntos e que não deveríamos ter permitido que o “destino” nos distanciasse e na hora de dizer até um dia destes a tristeza abatia sobre nós, o teu abraço conforta-me mas não afastava de mim a tristeza.

De vez em quando ouço o cd que me deste e sempre que ele toca vem à minha memória momentos partilhados, bons e intensos, mas a música que mais me toca, aquela que me faz libertar uma lágrima que rola pelo rosto e que cai sobre o meu peito, a lágrima da saudade, a lágrima da tristeza, a lágrima do sentimento, é essa a música que mais vezes toca.

Com os recentes acontecimentos, percebi, realmente, o poder do sentimento que sempre nos uniu e que ainda nos une, até me atrevo a dizer, que nos une ainda mais.

A preocupação que invadiu o meu peito; o olhar para o relógio para saber se já terias saído da sala de operações; o estar constantemente a ver se tinha alguma mensagem da tua irmã para ter notícias tuas; o bater acelerado do coração sempre que recebia uma mensagem a dizer que estava tudo bem; mas, principalmente, a tranquilidade que senti quando soube que terias alta no dia seguinte e que a tua recuperação corria como o planeado; todo este conjunto de emoções e situações fez-me entender o que realmente és para mim, o valor que tens na minha vida.

Entender o sentimento que dispara sempre que estamos juntos, o sentimento que quase me sufoca quando ouço a tua voz, o sentimento que acelera meu peito quando te leio, o sentimento que me faz sorrir, o sentimento que me faz sempre dizer “Torrãozinho”, o sentimento…

Falamos várias vezes sobre este assunto e com o tempo fomos percebendo que ainda que as adversidades da vida nos separassem, há um sentimento que no une, o AMOR.

Para além disso, percebi que tu és a minha alma gémea, aquela que não se esquece de mim ainda que a distância nos mantenha longe; que sempre gargalha comigo quando digo parvoíces; que me diz AMO-TE a qualquer hora, a qualquer dia, em qualquer circunstância.

TORRÃOZINHO, és o amor da minha vida, a minha alma gémea, e sempre te amei.

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